Uma iniciativa que além de contribuir para a preservação do meio ambiente ainda insere socialmente crianças de baixa renda tem chamado a atenção no complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. Lá, toda quinta, sexta e sábado, por volta das 19h, o músico Begha Silva, 56 anos, escolhe um beco entre o sem fim de vielas e transforma a rua em um cinema a céu aberto. O público? Jovens que correm de encontro ao músico a cada nova sessão.

Todas as semanas Beghá Silva projeta filmes para crianças nas ruas do Complexo da Maré

Para financiar o projeto, o músico passou a recolher óleo usado pelos moradores e vender. Pesquisou na internet e orçou em R$ 2 mil o equipamento necessário. “Pensei, vou morrer de tanto catar óleo, mas a causa é nobre”, diz. Acabou ganhando o projetor de uma rede de supermercados da comunidade, que em troca conquistou um anúncio vitalício na traseira da bicicleta, e a lona, que faz às vezes de tela, de uma ONG.

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Filmes

Com o dinheiro do óleo reciclado, vendido a R$ 0,80 o litro, compra a pipoca e o refrigerante servido às crianças. Também conseguiu melhorar a “tecnologia” de transmissão, que consiste no projetor preso à bicicleta e ligado através de uma gambiarra de fios à caixa de som e à tomada mais próxima, geralmente cedida por alguma das casas vizinhas. “Todo mundo quer ajudar. Um vizinho traz pipoca, outro refrigerante, outro bolo.”

Nos dias de chuva, negocia o espaço com alguma associação de moradores, mas gosta mesmo de ver as imagens tomando às ruas da comunidade. Sentadas no chão, cerca de 30 crianças costumam acompanhar, animadas, às sessões.

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Geralmente animações e ‘blockbusters’ infantis, os filmes –DVDs piratas comprados pelo músico–, são escolhidos pelas crianças. Se tiverem mais meninos, lembra, é comum o ogro Shrek vencer a votação; se o público for de meninas, não tem jeito. A rua se enche com as músicas do conto de fadas “Frozen”.

Educação ambiental

Antes Begha faz questão de passar um pequeno clipe com uma de suas músicas lembrando aos pequenos a importância de preservar a natureza, principal tema de suas canções. Sua única filha, Taína, 14, foi batizada em homenagem ao filme homônimo que conta as aventuras de uma indiazinha defendendo a Amazônia.

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No começo do ano, Begha venceu um edital da prefeitura do Rio que premia ações em favelas. Quando receber a verba, planeja comprar uma bicicleta nova e desenvolver uma cartilha ensinando o ofício do cinema sob duas rodas para que outras pessoas possam reproduzir a experiência em suas próprias comunidades.

“Amanhã eles vão crescer e vão lembrar, ‘tinha um cara que quando eu era criança fazia um cinema com uma bicicleta’ e quem sabe isso ajude eles de alguma forma”, conclui o benfeitor.

Via Portal EcoD

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